Tesouro Nacional Vivo

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Tesouro, segundo os dicionários, é o conjunto de riquezas de qualquer tipo (dinheiro, jóias, pedras e metais preciosos). No imaginário popular também é isso mas em quantidades absurdas.

Mas em alguns lugares a palavra “tesouro” é usada para designar o conjunto de obras que compõem o patrimônio cultural de seu povo.

Os precursores foram os japoneses que em 1950 criaram a Lei de Proteção da Propriedade Cultural, incluindo o “Tesouro Nacional Vivo”, formado por um pequeno grupo de artistas vivos cujas habilidades incomparáveis ganham a proteção de seu país para continuar a se desenvolver.

Um país completamente arrasado depois da Segunda Guerra Mundial, o Japão apostou na preservação de sua cultura e arte para se reconstruir e se tornar uma das grandes potências mundiais. Esse modelo de preservação cultural foi adotado posteriormente também pela Coreia do Sul, Filipinas, França e Romênia.

Pouco mais de 100 artistas e artesãos ganharam esse título até hoje no Japão e entre eles estão alguns ceramistas realmente incríveis mas pouco conhecidos mundialmente, mesmo no mercado das artes. São eles:

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1 – Sekisui V vem de uma cerâmica japonesa tradicional, com vasos de barro vermelho.. Utilizando barro carregado em óxido de ferro, coletado em minas de ouro, Sekisui V traz o legado de sua família para o século 21 através da experimentação de novas técnicas de queima. Os trabalhos resultantes assumem uma variedade de formas, desde elegantes taças a vasos esquisitos. Suas obras mais famosas se assemelham a relíquias resgatadas das cinzas de uma erupção vulcânica.

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2 – Manji Inoue nasceu e foi criado em Arita, uma área cuja a fama pela produção de cerâmica remonta ao século 17. A partir dos ensinamentos de Sakaida Kakiemon XIV, seu mestre e que também pertence ao tesouro nacional vivo, Inoue desenvolveu um estilo elegante, quase minimalista caracterizado por curvas sinuosas. Seus vasos muitas vezes passam sem adornos, envolto apenas pelo esmalte verde translúcido, que tem um brilho sobrenatural e é sua assinatura inconfundível.

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3 – Trabalhando com o forno anagama, uma tradição medieval, Isezaki Jun cria esculturas talhadas à mão, vasos de chá, pratos e vasos. Seu forno escavado em uma encosta em Bizen, uma área conhecida por sua tradicional faiança não vidrada. A cerâmica Bizen é decorada não com esmaltes mas com cinzas naturais de pinho, materiais vermelhos e palha, colocado no forno durante a queima. Jun deleita-se com o elemento do acaso que está no centro deste processo. Os vasos resultantes se assemelham a artefatos antigos completos com bordas irregulares, explosões inesperadas de cor e linhas assimétricas.

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4 – Nakajima Hiroshi construiu seu próprio forno aos 28 anos de idade e desde então, o artista intrépido desenvolve um estilo próprio, com formas graciosas e esmaltes inventivos, dentro da linha conhecida como Caledon. Com uma taxa de perda impressionante (quase 80 por cento), essa cerâmica possui uma das técnicas mais difíceis de dominar mas Hiroshi mantém acesa a chama da tradição empurrando-a para o futuro.

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5 – Imaizumi Imaemon XIV vem de uma longa linhagem de ceramistas que remonta ao início do Período Edo, no século 17. Imaemon XIV continua a trabalhar na tradição Nabeshima, conhecido por vasos brancos elegantes, decorados com vibrantes padrões labirínticos que evocam o mundo natural. Sua aprendizagem precoce se deu com Osamu Suzuki (outro tesouro nacional vivo) e da observação do mundo contemporâneo em torno dele. Suas peças trazem um frescor contemporâneo para a tradiconal  técnica Nabeshima. O artista foi nomeado para o tesouro nacional vivo em 2014, aos 51 anos. Na época, ele era o mais jovem homenageado com o título.

Fonte: ArtSy

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